NOVA ACTIO https://novaactio.com Tue, 19 Aug 2025 16:58:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.2 Peculiaridades de Trabalhar no Paraguai: o Peso das Diferenças Culturais https://novaactio.com/artigo-01/ https://novaactio.com/artigo-01/#respond Tue, 19 Aug 2025 01:10:20 +0000 https://aut-ipsum-68a08c89-space.wpkubio.com/nova-actio/?p=600

Peculiaridades de Trabalhar no Paraguai: o Peso das Diferenças Culturais

por Marcos Glienke

Quando se fala em expandir operações para outro país, como o Paraguai, é comum que empresários e executivos concentrem sua atenção nos aspectos mais práticos e imediatos: legislação, impostos, regime fiscal, burocracia, logística. Tudo isso, de fato, é essencial, mas há um fator adicional frequentemente subestimado — e que pode ser decisivo para o sucesso ou fracasso de uma operação internacional: as diferenças culturais.

À primeira vista, essas diferenças parecem se manifestar apenas em aspectos mais visíveis e até superficiais, como a culinária, a música, os hábitos cotidianos ou a forma de se comunicar no dia a dia. São elementos fáceis de notar em uma primeira viagem ou em encontros mais rápidos.

Porém, é no médio e longo prazo — quando os relacionamentos profissionais e pessoais precisam de confiança, estabilidade e resiliência — que a cultura realmente mostra seu impacto. É nesse momento que pequenas diferenças de percepção, expectativa ou valores podem se tornar barreiras silenciosas, capazes de fragilizar negociações, relações de trabalho, gerar ruídos de comunicação e até comprometer projetos inteiros.

Empresas que tentam montar equipes locais ou mesmo formar times multinacionais enfrentam um desafio recorrente: como consolidar relações de confiança quando os referenciais culturais são distintos?

Algo que parece simples — como a forma de dar feedback, negociar prazos ou lidar com crises — pode carregar sentidos diferentes dependendo do contexto cultural. O que em uma cultura é visto como objetividade, em outra pode ser interpretado como frieza ou falta de respeito. O que para um gestor é apenas cobrança, para outro pode soar como desconfiança.

Essas diferenças afetam diretamente a capacidade de formar equipes coesas e produtivas, além de influenciar a percepção de justiça, colaboração e pertencimento dentro da organização ou de um projeto transnacional.

É justamente nesse ponto que muitas vezes surgem tensões relacionadas a percepções de imperialismo ou exploração. Quando uma liderança estrangeira impõe seus próprios métodos e valores sem reconhecer as especificidades locais, cria-se um desequilíbrio. A equipe local pode sentir-se desvalorizada, ou mesmo explorada, e a relação perde legitimidade.

Por isso, operações transnacionais — especialmente em mercados próximos como o paraguaio — exigem sensibilidade cultural e disposição para aprender e adaptar. Não basta apenas levar um modelo pronto do Brasil para o Paraguai. É preciso construir pontes, reconhecer diferenças e transformar a diversidade em vantagem competitiva.

Lembro bem de uma experiência marcante no interior do Paraguai, na cidade de Caazapá, quando acompanhava a preparação para a instalação de um novo empreendimento brasileiro. Nossa equipe multidisciplinar tinha uma lista extensa de pontos a resolver: infraestrutura, logística, parcerias, fornecedores, aspectos legais. Era um cenário complexo, que exigia conversas com pessoas de perfis muito variados — desde empresários locais até profissionais liberais, trabalhadores de operação e até interlocutores com ampla experiência internacional.

As negociações caminhavam bem, conduzidas em espanhol, idioma que todos dominavam. Mas em determinado momento percebi algo interessante: um dos empresários locais, até então receptivo e colaborativo, passou a se dirigir não mais a mim, mas a um executivo da nossa equipe do lado paraguaio. E a conversa mudou de idioma. Ele deixou o espanhol de lado e começou a falar em guarani e jopará, línguas profundamente enraizadas na cultura paraguaia.

Foi aí que percebi a sutileza do gesto. A mudança não era apenas linguística. O que ele buscava, na verdade, era construir confiança em sua própria base cultural.

Era como se dissesse: “Precisamos confirmar tudo o que falamos até aqui, mas agora de um jeito que faça sentido para nós, na nossa cultura.”

Felizmente, esse executivo da equipe não apenas dominava o guarani e o jopará, como também conhecia a região de Caazapá, onde havia vivido parte da infância. A conexão foi imediata. As negociações, que até então caminhavam de forma técnica, ganharam um novo ritmo — mais fluido, mais seguro, mais comprometido. Pouco tempo depois, os acordos se consolidaram.

A lição ficou clara: naquele contexto, os negócios não se confirmaram pelo contrato ou pelo acordo formal, mas pela cultura. A confiança foi selada em guarani, na língua da identidade local, muito mais do que no espanhol.

Esse episódio em Caazapá ilustra algo que todo empresário precisa ter em mente ao pensar em operações no Paraguai — ou em qualquer outro país: a cultura pesa tanto quanto a técnica, a legislação ou a contabilidade.

As diferenças culturais não se revelam apenas em costumes visíveis, como a comida ou a música, mas sobretudo na forma como se constroem confiança e compromissos duradouros. Muitas vezes, o idioma local, as tradições regionais e até pequenas sutilezas no modo de se relacionar tornam-se elementos decisivos para a consolidação de um acordo.

No caso relatado, não foram as cláusulas contratuais que garantiram a continuidade das negociações, mas sim a capacidade de dialogar no idioma da confiança — o guarani, expressão viva da identidade cultural paraguaia.

Para empresários e executivos brasileiros, essa é uma lição fundamental: operar em outro país exige mais do que conhecer regras fiscais ou abrir uma filial. Exige sensibilidade cultural, disposição para aprender e respeito pela forma como o outro constrói relações de valor.

É exatamente nesse ponto que a NOVA ACTIO se torna uma parceira estratégica. Atuamos como o elo que acomoda e traduz essas diferenças culturais, ajudando empresas brasileiras a se integrarem ao contexto paraguaio sem tropeçar em barreiras invisíveis, mas decisivas. Nosso trabalho é garantir que grandes esforços e investimentos não sofram reveses simplesmente porque, em algum momento, a cultura foi mal interpretada ou pouco valorizada. Ao oferecer suporte local aliado à experiência transnacional, transformamos a diversidade cultural em uma vantagem competitiva — e não em um risco para os negócios.

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Arquivos Públicos Digitais: aspectos importantes para gestores públicos https://novaactio.com/artigo-02/ https://novaactio.com/artigo-02/#respond Sat, 16 Aug 2025 23:12:02 +0000 https://aut-ipsum-68a08c89-space.wpkubio.com/nova-actio/?p=1

por Marcos Glienke

Em muitas entidades públicas, os arquivos ainda são vistos como uma questão secundária. O raciocínio parece seguir a máxima de que “o papel sempre estará lá” caso seja necessário consultá-lo algum dia. Como consequência, não é raro encontrar documentos importantes guardados em locais improvisados — garagens, depósitos, salas de difícil acesso ou até mesmo debaixo de escadas. São espaços pouco nobres, destinados a um acervo que, na prática, sustenta a memória institucional e garante direitos do cidadão.

Mas os tempos mudaram. A tecnologia é muito mais dinâmica do que “estantes de aço” onde os papéis podem ficar abandonados por anos ou até décadas. Se, por um lado, o ambiente digital trouxe novas possibilidades de organização e acesso, por outro, exige cuidados específicos para que documentos sejam realmente preservados e recuperáveis no futuro.

Arquivos digitais não podem ser tratados como pilhas de papel em repouso. Eles demandam sistemas adequados, políticas de preservação e um olhar estratégico que assegure sua validade legal, recuperabilidade, integridade e autenticidade. Essa é a verdadeira transformação que os gestores públicos precisam enfrentar: passar da lógica do “depósito de documentos” para a gestão ativa da informação digital.

Na base de qualquer discussão sobre arquivos digitais está a obrigação legal que as entidades públicas têm de arquivar seus documentos e preservar sua memória institucional. Isso já está previsto na Constituição Federal, como no artigo 23, e foi detalhada pela Lei nº 8.159/1991, que afirma:

Ou seja, arquivar documentos — sejam eles em papel ou digitais — não é uma atividade secundária, mas sim uma função essencial da administração pública, que recai diretamente sobre a responsabilidade do gestor público.

Com o avanço da tecnologia e a crescente transformação digital nos procedimentos administrativos, o formato dos documentos mudou. Saímos do papel para o meio digital. Porém, a obrigação permanece a mesma: garantir que os registros sejam preservados, acessíveis e confiáveis, servindo aos mesmos propósitos de sempre — apoiar a gestão, assegurar direitos, fomentar a cultura e preservar a memória coletiva.

Para dar cumprimento a essa obrigação legal de preservar documentos e memória institucional, a Administração Pública precisou se estruturar formalmente. Essa organização se consolidou por meio do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR), instituído pelo Decreto nº 4.073/2002, que regulamenta a Lei nº 8.159/1991.

O decreto é claro em sua definição:

Na prática, o SINAR funciona como um sistema articulador, que reúne o Arquivo Nacional, o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) e os arquivos das diversas esferas — federal, estadual e municipal. Essa estrutura garante que as normas e diretrizes arquivísticas sejam aplicadas em todo o país, assegurando tanto a preservação documental quanto o acesso à informação pelo cidadão.

Assim, todas as entidades públicas, em qualquer esfera e poder, acabam vinculadas a um mesmo sistema de proteção da memória institucional — o SINAR. No contexto desse sistema, e obedecendo suas regulamentações, cada órgão ou ente federativo deve organizar seu próprio sistema de gestão de arquivos.

Um exemplo disso é o SIGA (Sistema de Gestão de Arquivos), adotado pelo Poder Executivo Federal. Ele serve como referência de como estruturar de forma coordenada a produção, o uso, a guarda e a destinação dos documentos públicos. Outros poderes e esferas de governo também devem criar e manter sistemas similares, alinhados às diretrizes nacionais.

Quando falamos de arquivos digitais, o processo dentro de uma entidade pública não é livre ou improvisado. Ele está submetido ao SINAR e às regulamentações estabelecidas pelo CONARQ, órgão central do sistema.

O CONARQ produziu resoluções específicas que determinam como a tecnologia deve ser utilizada para garantir que os documentos digitais sejam preservados de maneira íntegra, autêntica e acessível. Nesse contexto, dois instrumentos se destacam:

  • SIGAD (Sistema Informatizado de Gestão Arquivística de Documentos) – regulamenta como os documentos digitais devem ser gerenciados ao longo de todo o seu ciclo de vida: da produção e tramitação ao arquivamento corrente, intermediário e permanente, passando também por distribuição e eventual descarte.
  • RDC-Arq (Repositório Arquivístico Digital Confiável) – estabelece critérios para que os repositórios digitais tenham condições de preservar documentos eletrônicos de longo prazo, assegurando sua validade legal, sua autenticidade e sua disponibilidade para consulta futura.

Portanto, além de adequar sua entidade pública às diretrizes gerais do SINAR, o gestor público precisa também garantir que, no caso dos arquivos digitais, sejam observadas e cumpridas as regulamentações do SIGAD e do RDC-Arq. Somente assim é possível assegurar que a transição do papel para o digital mantenha a confiabilidade e a segurança jurídica dos documentos.

Um ponto importante quando falamos de arquivos digitais é a digitalização de documentos em papel com validade legal. Esse tema ganhou destaque com a publicação do Decreto nº 10.278/2020, que estabeleceu os requisitos técnicos para que documentos digitalizados possam ter o mesmo valor jurídico do correspondente original em papel.

Trata-se de um avanço significativo para a modernização da gestão pública, já que abre caminho para reduzir a dependência de arquivos físicos e agilizar processos administrativos. Importante salientar que os critérios estabelecidos pelo decreto são bastante detalhados e exigem rigor técnico para que a digitalização realmente substitua o documento físico.

Por ser um tema complexo e cheio de nuances práticas, vamos abordá-lo em profundidade em um “post” específico. Neste momento, quero apenas destacar que o Decreto 10.278/2020 é um marco na legislação brasileira e deve estar sempre no radar dos gestores públicos que lidam com a transição do papel para o digital.

A gestão de arquivos públicos nunca foi apenas uma tarefa administrativa de “guardar papéis”. Trata-se de uma responsabilidade legal e estratégica, essencial para a transparência, a preservação da memória institucional e a garantia de direitos do cidadão. Com a transformação digital, esse desafio ganhou novas dimensões: além de organizar acervos físicos, é preciso assegurar que os documentos digitais sejam produzidos, armazenados e preservados de acordo com padrões técnicos e jurídicos.

Nesse cenário, cabe ao gestor público compreender que a transição para o digital não elimina sua obrigação — apenas a redefine. A adesão ao SINAR, a observância das diretrizes do CONARQ e a aplicação das normas do SIGAD e do RDC-Arq são etapas fundamentais para que os arquivos digitais mantenham sua integridade, autenticidade e acessibilidade ao longo do tempo.

É uma missão desafiadora, que exige conhecimento técnico, planejamento e comprometimento. E é justamente aí que a NOVA ACTIO pode apoiar gestores e instituições públicas. Com experiência acumulada em transformação digital e gestão documental, oferecemos serviços especializados e treinamentos que capacitam equipes, estruturam processos e implementam soluções práticas para o tratamento adequado dos Arquivos Públicos Digitais.

Mais do que cumprir uma obrigação legal, investir na boa gestão dos arquivos digitais é preparar a administração pública para um futuro mais eficiente, transparente e inovador, de Transformação Digital.

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